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Vácuo. Flutuava entre supernovas, admirando cada explosão silenciosa com agonia como se todos os eventos do universos acontecessem sem parar ao seu redor, repletos da necessidade de serem observados. Não conseguia piscar. A sua nave? Ficara a anos luz de distância, presa ao maço de tudo o que é efêmero e material, sobrou só o cosmos eterno que o envolve em completa solidão.  A partir dali, tudo de fantástico brilhava exatamente como uma das incontáveis estrelas a sua volta, “fantástico e comum”, pensava enquanto imaginava qual orquestra tocaria aquela composição preferida que ele sempre colocava na vitrola para acompanhar a vida. A vitrola, a orquestra, a vida, a composição? Qual era a música mesmo? Não conseguia se lembrar. 

É possível esquecer que estamos vivendo? Você ainda se lembra de todas as suas… lembranças?

E se sua vida se tornar só lembranças?

Arthur Marques

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