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Ajeita seu chapéu negro, pouco se importa com a lama que mela o sobretudo, também preto. Chove. Está correndo a três quarteirões, não sabe por que o sinistro homem de chapéu está atrás dele, nunca havia feito nada terrível o suficiente para, agora, ver sua vida ser caçada por um vulto como aquele. Cai. Rir pelo fato de saber que iria ocorrer, “um gordo desesperado junto com chuva é queda certa”, puxa a arma que estava no bolso do sobretudo, o brilho do cano quase ilumina seu rosto, ajeita o chapéu mais uma vez. Aponta. Assustado, tenta se proteger do tiro certo,  não quer morrer, não queria mais errar, queria uma única chance de agradar alguém nessa miserável vida, o vulto não poderia terminar com aquilo ali. Chora. Um sorriso sádico se forma em seu rosto. Mira. Se encolhe. Geme. Se prepara. Destrava. Silêncio… Onomatopéia.

Não é  o personagem, não é o crítico, quem coloca o ponto final é. O escritor

Arthur Marques

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